Que coragem é essa que, para se manifestar, supõe a
instância de um falar francamente? Qual é essa verdade cuja condição de
possibilidade não é lógica, mas ética? Esse nó de coragem e verdade terá,
sem dúvida, constituído para Foucault algo como um complexo fundamental. A
coragem da verdade como grade de leitura da obra e da vida enquanto
indissociáveis, enquanto aquilo que, simultaneamente, fundamenta a escrita
de livros e a ação política.
É isso o que os estudos aqui publicados tentam
estabelecer, desdobrar. Eles fornecem várias pistas para construir a figura
de Foucault como pensador comprometido com a atualidade política,
de Foucault diagnosticador do presente, enfim, do Foucault que encontra em
Sócrates um irmão longínquo, convicto, como ele, de que há algo de mais essencial que
qualquer verdade: a exigência da verdade.
Foucault – a coragem da verdade conta com as
contribuições de Philippe Artières, Francesco Paolo Adorno, Mariapaola
Fimiani, Frédéric Gros, Jean-François Pradeau e Judith Revel.
A edição brasileira conta com prefácio de Salma Tannus
Muchail.