ORELHAS

 

I

 

 

O Círculo de Viena [Wiener Kreis] é um clube filosófico que funcionou em Berlim e em Praga a partir de 1929, até o assassinato de seu líder. Antes disso, ele teve uma existência informal, anteriormente à guerra de 1914-1918. Apesar de toda a sua importância e de seu impacto sobre a filosofia contemporânea, a vida desse movimento não foi longa.

As principais influências sobre o Círculo de Viena foram exercidas por Ernst Mach, Ludwig Wittgenstein, Bertrand Russell, George Edward Moore, David Hilbert, Henri Poincaré, Albert Einstein, Karl Popper, Gottlob Frege.

No Círculo de Viena, não há unidade de pensamento. Ele se caracteriza mais por um programa comum do que por dogmas partilhados. Uma de suas grandes contribuições é justamente a concepção científica do mundo, cujos três principais elementos são:

1. As ciências devem ser unificadas na linguagem da física (reducionismo das ciências empíricas) ou da lógica (logicismo), porque todo conhecimento é ou empírico ou formal.

2. A filosofia é uma elucidação das proposições científicas mediante a análise lógica; ela deve ser reduzida a uma teoria do conhecimento.

3. Por essa concepção, os enunciados metafísicos são desprovidos de todo e qualquer sentido (Unsinnig).

Os mais famosos membros do Círculo de Viena são Moritz Schlick, Hans Hahn, Kurt Gödel, Rudolf Carnap, Eino Kaila, Otto Neurath, Felix Kaufmann, Edgar Zilsel, Viktor Kraft. E sua tradição se perpetuou com Georg Henrik von Wright e Alfred Tarski.

Este livro será útil para os leitores que queiram ter mais clareza sobre as questões epistemológicas e sobre as análises do Círculo, que foram forjadas em uma época muito fecunda e agitada: Viena, nessa época, é a Viena de Freud e de Schumpeter, mas também é a mesma que assiste à ascensão do nazismo, que não está desvinculada do assassinato de M. Schlik, o fundador do Círculo de Viena.