Saussure
não fundou a linguística, mas sua obra está na origem de uma mutação
considerável na evolução da
disciplina, o “corte saussuriano ”. Mesmo que seja problemático especular
sobre aquilo em que a linguística teria se transformado sem Saussure, basta
citar alguns nomes — por exemplo, Trubetzkoy , Meillet , Hjelmslev ,
Jakobson, Guillaume , Benveniste , Martinet e alguns outros — para entrever
a importância do efeito Saussure.
Naturalmente, a semiótica encontra uma de suas origens na “semiologia ”
saussuriana: nem Barthes nem Greimas teriam elaborado sua reflexão como
fizeram sem o Curso de linguística geral.
Último
aspecto do “efeito Saussure”: vários outros setores da reflexão em ciências
humanas foram tocados de maneira mais ou menos direta e intensa pelo impacto
da reflexão saussuriana: aqui é preciso evocar os nomes de Lacan , de
Lévi-Strauss e de Merleau-Ponty — entre vários “outros” .
E, o que é
fundamental, a reflexão de Saussure jamais se encerrou. Ela prossegue com
obstinação. Por isso, talvez não seja completamente inadequado falar de uma
reflexão aberta em um texto fechado. O objetivo deste livro não é
multiplicar os Saussure , nem reduzi-los à unidade.
É
descrever a gênese e a evolução de um pensamento , sem perder de vista o
problema das relações que podem ser
estabelecidas entre as dimensões aparentemente ou realmente separadas de
suas pesquisas.
Este livro
é uma apaixonada homenagem ao “mestre genebrino”, em um verdadeiro percurso
de exploração e
de
interpretação dos nós górdios da reflexão do linguista suíço.