, agora publicada pela Parábola
Editorial, são sempre motivadas por um fato de linguagem ou por um
palpite mais ou menos infeliz sobre questões de língua,
frequentemente formulado na terminologia e segundo a mentalidade do
que há de pior nas gramáticas escolares.
Tornou-se
corriqueira a presença nos meios de comunicação de colunistas que
falam de língua. Todos, queiram ou não, mostram que é muito
fácil aplicar receitas e sair por aí corrigindo a linguagem dos
incautos, sejam eles populares, políticos ou artistas de tv de
variadas extrações. Mas isso qualquer um faz. Basta uma gramática,
ou mesmo uma apostila, um dicionário e um pouco de memória. E pega
bem. Tanto quanto dar lições de boas maneiras ou de bons costumes.
Pode-se falar mal do desleixo dos jovens e do povo, seguindo o velho
ramerrão de sempre.
Neste
livro, tenta-se algo de diferente. Sem imitar as aulas e sem
administrar epistemologia em conta-gotas, Possenti propõe um olhar
diferente sobre fatos de língua, sejam os corriqueiros, sejam
aqueles aos quais a escola dedica inutilmente seu tempo.
A
intenção é colaborar para o fim ou a diminuição de dolorosos
preconceitos. Mas também divertir um pouco, já que o mundo anda
demais de cinzento.
O
livro não se destina a especialistas, já que eles têm à
disposição, no mundo, e também no Brasil, estudos sofisticados de
todas essas questões, e de numerosas outras, pois a linguística
brasileira tem grande qualidade. O leitor implícito destes textos
é leigo, mas razoável (como o de Descartes, digamos). Se lhe
oferecem uma alternativa, ele a entende, ele se dá conta dos fatos
e das horríveis consequências de não nos darmos conta deles —
para a escola, para a cidadania, para a autoestima, mas,
principalmente, para o conhecimento de uma realidade rica e
diversificada, sempre regida por regras, por gramáticas, ao
contrário do que pensam os que se acomodaram tanto ao pouco
conhecimento quanto ao preconceito.