ORELHAS FILOSOFIA DA LINGUAGEM

 

I

 

 

A filosofia da linguagem é um conjunto de reflexões de origens distintas: observações dos filósofos acerca da linguagem, análises técnicas construídas a partir dos formalismos lógicos, avaliações do papel da linguagem comum, representações construídas a partir dos saberes positivos que tomam a linguagem como objeto ("filosofia da linguística"). Apesar de sua heterogeneidade e da falta de uniformidade teórica do conjunto, trata-se do mais importante e difícil setor da filosofia.

A questão da linguagem afeta aquilo que constitui a especificidade da humanidade e a natureza da racionalidade. Cada campo de nossa experiência é objeto de construções teóricas (aquilo que chamamos de ciências), que dão lugar a problemas filosóficos delicados: o infinito para a matemática, a estrutura última da matéria para a física, a natureza da vida para a biologia, a liberdade para o direito e a moral.

Para a linguagem, esses problemas são de duas ordens. A primeira se refere à natureza da significação. Que tipo de entidade é a significação de uma palavra ou de uma frase? De onde vem que a linguagem signifique? A segunda refere-se à universalidade. Como é que me compreendem quando falo e, ainda por cima, como posso ser traduzido para outra língua?

Poderíamos dizer que, no fundo, assim como o infinito é a chave metafísica da matemática, a universalidade é a chave metafísica das ciências da linguagem.

Um dos mais complexos e ricos campos da filosofia, a filosofia da linguagem está em plena expansão e é objeto de uma renovação teórica considerável. Era necessário apresentar uma síntese que permitisse ao leitor orientar-se diante de novos desafios, como a automação da comunicação humana, e avaliar a extensão do enigma apresentado pela diversidade das línguas.

Concebida em torno do tratamento de alguns dos grandes problemas recorrentes, esta obra foi composta para servir de referência. Desde a graduação até a iniciação de pesquisas em mestrado ou doutorado, ela pode acompanhar os estudos dos filósofos, dos linguistas, dos semioticistas, dos especialistas em ciências cognitivas e de todos aqueles que se encontram às voltas com a questão da linguagem.