Ensinar a escrever no Brasil não é tarefa
fácil. Nossa cultura escolar pouco tem feito para enfrentar o
desafio do ensino da escrita. O máximo que a pedagogia tradicional
conseguiu foi criar o famigerado gênero "redação escolar",
cuja característica principal é, dado um tema no vazio, escrever
para ninguém ler. Mero exercício de preenchimento de umas tantas
linhas.
Este livro é uma contribuição e tanto para um
país que precisa fazer as pazes com a escrita, que precisa aprender
a escrever, que precisa aprender a ensinar a escrever.
Estamos diante de uma pedagogia da escrita,
composta não de generalidades, mas de concretude. Uma pedagogia que
aponta não para o gênero "redação escolar", mas para a
produção de texto, para "o uso dos recursos expressivos da
língua com a finalidade de produzir deliberados efeitos de sentido
sobre bem determinados leitores".
Em seu tempo de docência, Paulo Guedes vem
construindo um saber qualificado a partir da prática cotidiana e da
reflexão sobre ela. Escutou seus acertos e desacertos. Percorreu as
discussões teóricas e submeteu-as ao fogo da prática. Com isso,
aprendeu a aquilatar os limites das promessas ali embutidas. Tomou
caminhos que deram em becos. E isso lhe foi muito esclarecedor. Foi
refazendo, então, percursos, experimentando mais, refletindo mais,
elaborando mais. Incansavelmente.