ORELHAS DA REDAÇÃO À PRODUÇÃO TEXTUAL

 

I

 

 

Ensinar a escrever no Brasil não é tarefa fácil. Nossa cultura escolar pouco tem feito para enfrentar o desafio do ensino da escrita. O máximo que a pedagogia tradicional conseguiu foi criar o famigerado gênero "redação escolar", cuja característica principal é, dado um tema no vazio, escrever para ninguém ler. Mero exercício de preenchimento de umas tantas linhas.

Este livro é uma contribuição e tanto para um país que precisa fazer as pazes com a escrita, que precisa aprender a escrever, que precisa aprender a ensinar a escrever.

Estamos diante de uma pedagogia da escrita, composta não de generalidades, mas de concretude. Uma pedagogia que aponta não para o gênero "redação escolar", mas para a produção de texto, para "o uso dos recursos expressivos da língua com a finalidade de produzir deliberados efeitos de sentido sobre bem determinados leitores".

Em seu tempo de docência, Paulo Guedes vem construindo um saber qualificado a partir da prática cotidiana e da reflexão sobre ela. Escutou seus acertos e desacertos. Percorreu as discussões teóricas e submeteu-as ao fogo da prática. Com isso, aprendeu a aquilatar os limites das promessas ali embutidas. Tomou caminhos que deram em becos. E isso lhe foi muito esclarecedor. Foi refazendo, então, percursos, experimentando mais, refletindo mais, elaborando mais. Incansavelmente.

Carlos Alberto Faraco, na Apresentação