Pode-se definir a linguística
histórica como o campo que trata de interpretar mudanças — fônicas,
mórficas, sintáticas e semântico-lexicais — ao longo do tempo
histórico em que uma língua ou uma família de línguas é utilizada
em determinável espaço geográfico e em determinável território,
não necessariamente contínuo. Contudo, a história de uma língua não
é uma duração: é uma multiplicidade de tempos que se emaranham.
Sendo assim, a linearidade temporal das mudanças nas línguas deve ser
revista e a "multiplicidade de tempos que se emaranham" deve
ser levada em conta por aquele que faz linguística histórica.
Há duas grandes vertentes na
linguística histórica: linguística histórica lato sensu e
linguística histórica stricto sensu.
A linguística histórica lato
sensu trabalha com dados datados e localizados, como ocorre em
qualquer trabalho de linguística baseado em corpora. A
linguística histórica stricto sensu é a que se debruça sobre
o que muda e como muda nas línguas ao longo do tempo em que tais
línguas são usadas e pode ser trabalhada em duas orientações:
linguística histórica sócio-histórica e linguística diacrônica
associal.
Por que as línguas mudam? Como as
línguas mudam? São essas as perguntas primárias e primeiras para as
quais a linguística histórica busca resposta, desde que se constitui,
com rigoroso método, a partir do século passado, mas certamente desde
antes, como especulação em torno de problemas cruciais para a
compreensão do fenômeno linguagem humana, ou mesmo desde muito antes
ainda: lembro o mito de Babel, nos confins de nossa história.