ORELHAS

 

I

 

 

Pode-se definir a linguística histórica como o campo que trata de interpretar mudanças — fônicas, mórficas, sintáticas e semântico-lexicais — ao longo do tempo histórico em que uma língua ou uma família de línguas é utilizada em determinável espaço geográfico e em determinável território, não necessariamente contínuo. Contudo, a história de uma língua não é uma duração: é uma multiplicidade de tempos que se emaranham. Sendo assim, a linearidade temporal das mudanças nas línguas deve ser revista e a "multiplicidade de tempos que se emaranham" deve ser levada em conta por aquele que faz linguística histórica.

Há duas grandes vertentes na linguística histórica: linguística histórica lato sensu e linguística histórica stricto sensu.

A linguística histórica lato sensu trabalha com dados datados e localizados, como ocorre em qualquer trabalho de linguística baseado em corpora. A linguística histórica stricto sensu é a que se debruça sobre o que muda e como muda nas línguas ao longo do tempo em que tais línguas são usadas e pode ser trabalhada em duas orientações: linguística histórica sócio-histórica e linguística diacrônica associal.

Por que as línguas mudam? Como as línguas mudam? São essas as perguntas primárias e primeiras para as quais a linguística histórica busca resposta, desde que se constitui, com rigoroso método, a partir do século passado, mas certamente desde antes, como especulação em torno de problemas cruciais para a compreensão do fenômeno linguagem humana, ou mesmo desde muito antes ainda: lembro o mito de Babel, nos confins de nossa história.