Subordinada à
retórica, à lógica e à dialética na organização clássica das
disciplinas, a argumentação só veio a se afirmar como campo de pesquisa
no pós-II Guerra Mundial, a partir dos trabalhos de Perelman e Toulmin.
Esta obra
apresenta ao leitor um panorama completo do atual estado de pesquisa sobre
a argumentação, insistindo no fato de que as abordagens atuais
concentram-se na importância do diálogo para a atividade argumentativa,
aqui encarada como interação necessária de posições contraditórias.
A partir dessa base, o autor ressitua a argumentação entre as artes da
prova, restituindo-lhe suas dimensões interpessoais e afetivas, até
agora ignoradas e evocando a urgência de abrir o estudo da argumentação
para outras tradições.
O modelo aqui
desenvolvido inscreve-se no quadro de uma abordagem dialogal a partir da
qual é possível reconstruir uma visão global do campo, reatar os
vínculos da argumentação pela prova e pelas emoções e fundar uma
perspectiva comparada. Mas, antes disso, são apresentadas as grandes
questões que organizam a pesquisa sobre a argumentação como modo
específico de encadeamento de enunciados.